Na ultima semana, tive o prazer de trabalhar com os adolescentes do primeiro ano do ensino médio de uma escola pública de Campinas, e como minha área é de química me pus a ensiná-los sobre a tabela periódica.
Neste dia o professor estava doente e a professora eventual pediu que eu ajudasse durante a aulas de química para os primeiros anos.
Não havia preparado nenhuma aula e tampouco me recordava tudo que deveria ensinar, mas quando cheguei a classe do primeiro C, uma sala que alguns professores reclamam por ser indisciplinada, iniciei o trabalho e tive uma boa receptividade da turma, conversei com eles e expliquei quem eu era, mas muitos já me conheciam porque já acompanhava algumas aulas, e pedi para que eles se sentassem em roda, e comecei a perguntar para eles coisas básicas, como qual seria a ideia deles de um átomo? Se esse seria composto por outras partes e onde podemos encontra-lo? E iniciamos uma conversa bem produtiva, falamos sobre medicamentos e drogas e sobre as proteínas no organismo, e juntos conseguimos chegar a conclusão de que é um átomo, onde ele está, qual o papel dele, e assim pudemos introduzir o que seria uma tabela periódica pensar porque os elementos tem caracteristicas diferentes.
Muitas vezes quando saiamos do assunto, eu pensava em voltar rapidamente para não perder o foco, mas deixar com que o aluno exponha e interprete suas dúvidas é maravilhoso, ele consegue aprender um pouco a mais nesse momento, então pensei, não estou perdendo tempo nesta conversa com eles, posso não estar ensinando a tabela periódica, mas com certeza estou ensinando um pouco de química, física, biologia, ou seja, um pouco de ciências naturais e aprendendo com eles como que um adolescente vê a vida e o que eles enfrentam nesse período.
Na outra turma, o primeiro A, durante a mesma aula, mas com outros questionamentos uma menina me disse algo que me intrigou: - "O Dona, eu não consigo entender isso do jeito que você tá falando..." e percebi que o uso de termos como eletronegativo, cátions, anions, íons, etc, é um vocabulário que alguns tem dificuldade de abstrair o conceito, mesmo explicando da forma mais simples, ainda surge a dúvida, então me perguntei, se eu usar esses termos acreditando que é comum a todos, estarei excluindo aqueles que tem uma maior dificuldade de compreende-lo, assim estou pensando uma forma de mostrar, seja através de objetos, ou experimentando uma forma simples de explicar, poder incluir a todos, porque pensar no que é um elétron, não tão simples como parece.
Para Vygotsky (1989) o auxílio prestado à criança em suas atividades de aprendizagem é válido, pois, aquilo que a criança faz hoje com o auxílio de um adulto ou de outra criança maior, amanhã estará realizando sozinha.
Assim, mesmo que o adolescente tenha dificuldade de compreender o que é simples para outros, com o esforço do professor esse aluno pode vir a buscar por si próprio a sua aprendizagem, porque estará motivado.
boas reflexões, Ana...
ResponderExcluirHeloísa