Faço parte do grupo que se propôs a intervir nas escolas pesquisando o tema da motivação na escola. Nesta primeira postagem apresento breves primeiras impressões do aque ali vivenciei até agora, apenas obsevando.
Trata-se de uma escola estadual pequena, localizada Campinas - SP, com ensino do 1º ano de ensino fundamental até o 3º do ensino médio. A escola tem poucas salas, e por isso as turmas são muito cheias.
Minha primeira impressão de fato foi bastante surpreendente. No dia em que fui à escola para perguntar se eu podia estagiar lá, os alunos do ensino médio estavam se preparando para uma apresentação musical, um samba, que haviam composto para problematizar o preconceito: "Preconceito é decepção..." (esta frase e o ritmo da música ainda soam em minha memória daquele dia em que eles ensaiavam incansavelmente para a apresentação que iria acontecer no intervalo, mas eu não cheguei a ver). Esta primeira impressão foi muito boa, fiquei me perguntando o que os teria motivado, se foi alguma disciplina, algum professor, ou algum interesse próprio, o que até hoje não sei. Fiquei me perguntando também se este tipo de expressão era uma prática comum na escola, se manifestações artísticas e culturais de fato se faziam presentes no cotidiano daqueles alunos.
Porém, ao começar minhas observações na escola, aquela imagem inicial foi se transformando. As aulas de arte não apresentavam nada que estimulasse aquela expressividade, pelo contrário, foi um mês de folclore a copiar desenhos de saci e mula-sem-cabeça em todos os anos que acompanhei. Foi incrível também a empolgação do professora em me apresentar os alunos fazendo "tachações": "aquele sabe tudo, aquele é um zero-à-esquerda, aquele tem problema de aprendizagem, aquele não sabe nada, aquele é um marginalzinho, aquela é uma v***, aquele é drogado, aquele é de inclusão...". E foi assim que os conheci, em campo de guerra, como se cada um fosse um soldado que vestia sua farda identitária para encarar a batalha da sala de aula revidar os ataques da professora.
Na sala dos professores, chega até a ser irônico como eles reclamam das fofocas que os alunos fazem deles, fazendo também fofocas sobre os alunos e intermináveis "tachações". E ali fica claro que a desmotivação não está apenas nos alunos, mas também nos professores que a todo momento tocam no assunto do salário insuficiente, do cansaço, e da necessidade de trabalhar em várias escolas.
Bem, primeiras impressões, boas e ruins, como em toda e qualquer realidade...
Sobre o Plano Pedagógico da escola:
Quando li o plano pedagógico da escola achei interessante algumas partes que se referiam as expectativas dos pais, dos alunos e da coordenação pedagógica em relação à escola e à educação. O plano pedagógico apresentava os três pontos de vista:
- A expectativa dos pais dos alunos é que eles se formem aptos para serem inseridos no mercado de trabalho, e não para atingir um nível superior de ensino;
- Em relação aos alunos, o plano pedagógico apontava uma forte influencia das mídias de comuniação, sendo que as expectativas de futuro desses alunos são relacionadas à profissões enaltecidas por essas mídias: jogador de futebol e top model.
- A escola, propõe, porém, que os alunos saiam da escola com uma visão crítica do mundo e da sua realidade, colocando a escola como um espaço de reflexão e construção da aprendizagem.
Além disso, a proposta curricular estabelecida pelos cadernos do governo é complementada pelos professores neste plano pedagógico, em que cada pofessor, de cada disciplina, envia sua proposta. Porém, na disciplina que observei, pelo menos, a professora não estava cumprindo com praticamente nada do que havia proposto ali. No papel tudo parece muito bom, mas no recorte que observei do dia-a-dia da escola não consegui perceber como esta proposta pedagógica se faz existir na prática.
Fernanda P.
...e no seu trabalho final isso fica em destaque tb!
ResponderExcluirHeloísa