O tema motivação é para mim muito instigante, pois essa é uma questão que já parei para refletir em vários momentos da minha vida. O tema já é interessante por si mesmo, pois está relacionado à inúmeras atividades que realizamos durante todo o dia. Estudar o tema aplicado ao ensino me parece ainda mais proveitoso, pois pode auxiliar professores e direção de escolas a lidarem da melhor forma com seus alunos de forma a potencializar a motivação e proporcionar um melhor desempenho.
Através de experiências com escolas publicas do estado de São Paulo, observei que existe uma falta de interesse de muitos alunos pelos estudos e por isso defendo que existe urgência na necessidade de estudos relacionados a esse tema. Considero que o papel de professores e profissionais ligados à educação com relação à motivação dos alunos em estudar é muito relevante e que sua compreensão de fatores que colaboram com a desmotivação é necessária, a fim de saberem como ameniza-los.
O estudo que pretendo fazer engloba a leitura de artigos relacionados ao tema motivação, estudo de Vygotsky e acompanhamento de uma sala de aula de ensino médio.
Para iniciar o estudo, li um artigo muito interessante, seu nome é: Motivação para aprendizagem escolar: possibilidade de medida, de Luciana Gurgel Guida Siqueira e Solange M. Wechsler, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Nesse artigo, as autoras levantam alguns pontos que quero aqui destacar.
No início do artigo, as autoras trazem algumas definições gerais de motivação, que podem ser percebidos em alguns trechos abaixo:
“- motivação leva uma pessoa a fazer algo, mantendo-a na ação e ajudando-a a completar tarefas (Pintrich & Schunk, 2002)
- Segundo Murray (1986), a motivação representaria "um fator interno que dá inicio, dirige e integra o comportamento de uma pessoa (p. 20).
- vincula a motivação a uma energia interna
- Para Garrido (1990), a motivação é um processo psicológico, uma força que tem origem no interior do indivíduo e que o empurra, o impulsiona a uma ação.”
E ainda:
“De acordo com Pintrich e Schunk (2002) uma definição de motivação deveria englobar alguns elementos: a noção de "processo", ou seja, a motivação é um processo e não um produto, dessa forma não pode ser observada diretamente, mas pode ser inferida a partir de alguns comportamentos. As metas têm a função de oferecer um ímpeto para a direção da ação do sujeito, e cujo ponto principal seria o de que os indivíduos sempre têm algo em mente, que buscam atrair ou evitar ao realizar uma ação; a necessidade de uma atividade física (esforço, persistência e outras) e/ou mental (ações de natureza cognitiva como o pensar, planejar, avaliar, etc) e por fim, o último elemento seria relacionado ao fato da motivação iniciar e sustentar uma ação.”
As definições que tratam como “algo interior” me chamaram atenção, pois falam de algo do ser humano que não é facilmente visível. Além disso, existem vários fatores que podem estar relacionados à essa “energia interna” e que nem sempre são facilmente identificados. Com a leitura desses trechos percebi que não é uma tarefa simples analisar a motivação de alunos em uma sala de aula.
Além disso, o texto também trabalha um pouco sobre motivação intrínseca e extrínseca, trazendo as seguintes definições:
“Um aluno extrinsecamente motivado é aquele que desempenha uma atividade ou tarefa interessado em recompensas externas ou sociais, “
“Um aluno motivado intrinsecamente, ao contrário, é aquele cujo envolvimento e manutenção na atividade acontece pela tarefa em si, porque é interessante e geradora de satisfação, (...) fontes geradoras deste tipo de motivação. A curiosidade, o desafio, o controle sobre a ação e a fantasia.“
O texto ainda fala que “existem muitas dúvidas entre os pesquisadores sobre a relação entre motivação intrínseca e extrínseca”
O texto também fala que quando se pensa em motivação para a aprendizagem é preciso considerar as características do ambiente escolar. O ambiente escolar possui características muito singulares e que podem influenciar na motivação das pessoas e não é possível analisar motivação desconsiderando tais características.
“De forma, geral, os estudos realizados sobre motivação para a aprendizagem permitiram apontar uma série de fatores que podem afetar a motivação do estudante: as expectativas e estilos dos professores, os desejos e aspirações dos pais e familiares, os colegas de sala, a estruturação das aulas, o espaço físico da sala de aula, o currículo escolar, a organização do sistema educacional, as políticas educacionais, e principalmente as próprias características individuais dos alunos (Deci, Spiegel, Ryan, Koestner & Kauffman, 1982; Deci & Ryan, 1985a,.Pintrich & Schunk, 2002 e Marquesi, 2004).
(...)
Dessa forma, estudar a motivação para a aprendizagem envolve a compreensão de um complexo sistema de fatores que se inter-relacionam, operando em conjunto na motivação do aluno. "
Essa parte eu achei sensacional e percebi que está relacionada ao tipo de análise que gostaria de fazer com relação ao estágio que tenho feito em uma escola nesse semestre. Estou frequentando periodicamente uma escola publica de ensino médio e tenho observado fatores relacionados ao tema. Pude perceber alguns aspectos muito interessantes com relação à comparação das aulas de física e de outras disciplinas e quero lista-los aqui.
Primeiramente observei que os alunos nas aulas de física são muito interessados em aprender, o que me surpreendeu bastante. Fiquei muito admirada, pois geralmente a disciplina física assusta os alunos e não desperta interesse. As aulas de física são muito respeitadas, os alunos prestam atenção, participam, realizam as atividades, ouvem o professor e interagem de acordo com a proposta colocada pelo professor.
Observando algumas poucas aulas uma coisa se tornou muito evidente: o professor é excelente. E isso não só observando suas aulas, mas através de comentários como de outros professores e até mesmo a diretora dizendo que ele é ótimo, excelente professor.
Suas estratégias de ensino são excelentes, sua relação com os alunos é excelente, sua simpatia, interação, forma de abordagem, incentivo, forma de responder os alunos e o respeito pelos alunos chamam muito a atenção de quem observa de fora.
E nesse sentido, tenho pensado em observar qual a influencia do professor sobre a motivação dos alunos.
Como já citado anteriormente, o artigo trata que: “De forma, geral, os estudos realizados sobre motivação para a aprendizagem permitiram apontar uma série de fatores que podem afetar a motivação do estudante: as expectativas e estilos dos professores”
Acredito que nesse caso, a influência do professor é muito grande.
Além disso, já pude observar outros fatores como: o ambiente escolar é bom, a estrutura não é ótima, mas é boa, a merenda é boa, a relação entre os alunos e entre funcionários e alunos é muito boa, o ambiente parece de família. Isso com certeza pode ter alguma relação com a forma como os alunos desenvolvem sua motivação.
Mas mesmo nesse ambiente escolar, acho proveitoso fazer a análise dentro da sala e mais restrita a ela, pensando mais na influência do professor na motivação.
Houve uma situação em que uma aluna sugeriu para a professora que não tivesse a ultima aula de quinta feira e que ela pudesse ir embora e a professora aceitou. Achei isso bastante desrespeitoso, uma vez que acredito que o professor deve valorizar a aprendizagem e consequentemente valorizar suas próprias aulas.
Já o professor de física tem um tratamento diferente com relação a isso. Ele trata as suas aulas com uma seriedade exemplar. Elas são sempre de quinta feira e alguns alunos acabem indo embora, mas muitos ficam para assistir. Como a diretora mesmo afirmou, as suas aulas são as únicas que acontecem na última aula de quinta, pois nas outras aulas todos os alunos vão embora.
Pretendo então observar essa turma com relação à sua motivação e tentar analisar a influência de outros fatores nessa motivação, ressaltando principalmente o papel do professor.
Priscila G. Gomes
muito boas as suas considerações, Priscila...
ResponderExcluirHeloísa