quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Relatório Final

Fernanda Pestana - RA 070841

A escola

            Começo aqui a relatar a experiência que tive em uma pequena escola estadual, de ensino fundamental e médio, localiza-se em Barão Geraldo, Campinas. Desde agosto estive acompanhando em observação alguns professores, nas salas das 5ª e 6ª séries (6º e 7º anos), e de 1º e 2º anos do ensino médio. Fiz duas intervenções neste período de estágio: em outubro experimentei a docência junto aos alunos da 5ª série, e em novembro elaboramos uma entrevista problematizando a temática da motivação sob a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky.
            Para apresentar a escola, gostaria de comentar brevemente sobre o seu Projeto Político Pedagógico (PPP), que me chamou a atenção. Ao folhear o PPP, encontrei as expectativas dos pais e dos alunos em relação ao seu futuro, porém relatado do ponto de vista da própria escola. Segundo o PPP, os pais esperam que seus filhos terminem os estudos capacitados para ingressarem no mercado de trabalho, sem perspectivas de cursar o ensino superior. Já em relação aos alunos, o PPP aponta que eles têm seus sonhos influenciados pela mídia, almejando carreiras relacionadas ao futebol e à moda. Porém, o que a escola propõe como projeto pedagógico é criar um espaço de reflexão crítica sobre a sociedade e a realidade desses alunos. Contudo, durante o período que estive na escola, não pude perceber nenhuma mobilização que de fato se propusesse a cumprir o projeto. Ressalto também que no PPP havia as propostas curriculares de todas as disciplinas e atentei-me à de artes (minha área na graduação). Era um currículo fictício, ideal, distante do que de fato acontecia nas aulas: o conteúdo das atividades dos alunos desde a 5ª série até o ensino médio não tinham muita diferença, seguiam sempre uma temática relacionada a datas comemorativas, como o folclore e a independência, numa prática mecanicista, visando, na maioria das vezes, a cópia e a reprodução.


A atividade com a 5ª série/6º ano

            Meu objetivo com a primeira atividade que realizei com os alunos da 5ª série era problematizar a própria escola, dar voz ao que os alunos mais gostavam de fazer nela. Foi uma proposta artística em que propus o uso da linha e do tecido, materiais diferentes dos tradicionais “lápis e giz de cera”, comumente utilizados nas aulas de arte. Eles se interessaram bastante pela proposta de produzirem, em grupos, as partes de uma “cortina-mural” que seria pendurada na janela da sala. Cada um iria costurar seu pedaço, seu retalho, e ali, escrever ou desenhar com tinta o que mais gostava de fazer na escola. Orientei para que fossem sinceros, se gostavam de brincar, de fazer bagunça, de conversar, que o falassem, que registrassem aquilo ali. E claro, para mim, as palavras que apareceram não foram nada surpreendentes, mas via neles a alegria de se expressarem: brincar, conversar, estudar, jogar bola, ciências e artes. A atividade foi realizada nas mesinhas do jardim da escola, um ambiente fora das paredes da sala de aula que favoreceu muito toda a atividade.
            Tomando as palavras que os alunos trouxeram na atividade, questiono até que ponto a escola está preparada para incorporar a brincadeira em práticas pedagógicas que favoreçam o aprendizado? Estamos falando de uma atividade prazerosa para as crianças e que, do ponto de vista de Vygotsky “a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, principalmente aquelas que envolvem situações imaginárias, tem nítida função pedagógica” (OLIVEIRA, 1997:67). Quantas vezes não presenciei professoras e inspetoras reprimindo alunos, colocando a diversão, mesmo em horários fora da aula, como sinônimo de bagunça e falta de respeito.
            Outra palavra que destaco dentre as levantadas pelos próprios alunos na atividade é o conversar. Será que o silêncio absoluto é a melhor maneira de ensinar e aprender? A perspectiva histórico-cultural de Vygotsky defende que não. O indivíduo pode aprender não apenas com a orientação do professor, mas também em interação com os próprios companheiros de sala. Cada criança possui um conhecimento prévio, uma história anterior à chegada na escola, um conhecimento já desenvolvido e assimilado, e assim as crianças entram na sala com potenciais diferentes de aprendizado. Na interação com os colegas, na conversa, estes conhecimentos em potencial podem ser desenvolvidos e se tornarem reais sem que seja necessária a intervenção do professor. Por isso atividades em grupos, quando bem organizadas, são também práticas pedagógicas bastante eficientes para o desenvolvimento e o aprendizado, além de motivadoras, já que proporciona um momento de interação entre elas.






A intervenção com os alunos do Ensino Médio

            Continuando a explorar a temática da motivação, elaboramos uma entrevista para os alunos com o objetivo de mostrar os resultados para os professores. Entrevistei três alunos do 1º ano do médio, os três de 15 anos de idade. Porém, a entrevista foi feita no mesmo ambiente em que a coordenadora pedagógica trabalhava, por isso ela ouviu todas as respostas e por vezes interveio com alguns comentários. Apresentarei aqui apenas as principais perguntas e respostas considerando a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky:

a) Por que estudar? Por que ir à escola?
            As respostas de fato não eram muito diferentes do que previa o PPP da escola. “Estudar para trabalhar”, ou “estudar para cursar o ensino técnico”, também com a finalidade de ingressar no mercado de trabalho. Outra resposta que também não me espantou, aliás o que me espantou de fato foi a repressão dos próprios colegas com o aluno que dizia que “estudava por obrigação”. A freqüência na escola é obrigatória em nossa cultura, porém a obrigação torna-se ainda mais rígida quando a interação social é inibida, proibida, uma vez que para os alunos o principal motivo de ir à escola é encontrar os amigos. Esta interação tem extrema importância “no processo de construção das funções psicológicas humanas. O desenvolvimento individual se dá num ambiente social determinado e a relação com o outro, nas diversas esferas e níveis da atividade humana, é essencial para o processo de construção do ser psicológico individual” (OLIVEIRA, 1997:60), porém, quando inibida pode causar consequencias negativas no desenvolvimento dos alunos.

b) O que motiva os alunos na escola e nas aulas?
            A resposta dos alunos é bem objetiva: “O professor ser legal, não ser muito regrado, nem rígido, que não seja muito quieto e que seja mais descontraído”. Eles repetiam muito a palavra descontraído. Creio que a descontração do professor esteja relacionada com o afeto, com a emoção. Questiono então a que emoções a maneira como o professor trata o aluno está atrelada: seria ao medo, à raiva, à alegria? Por que muitos alunos ficam felizes quando os professores faltam? Os alunos descreveram o professor descontraído como aquele que conversa, que interage mais com os alunos, que impõe sua autoridade sem ser autoritário a ponto de não permitir que o aluno olhe para o lado e diga uma palavra aos amigos. Na perspectiva histórico-cultural, a emoção está diretamente relacionada com a afetividade, e esta com o desenvolvimento do indivíduo: “o sujeito postulado pela psicologia histórico-cultural é produto do desenvolvimento dos processos físicos e mentais, cognitivos e afetivos, internos (constituídos na história anterior do sujeito) e externos (referentes às situações sociais de desenvolvimento em que o sujeito está envolvido)” (OLIVEIRA, REGO, 2011:19). Logo, o professor faz parte das situações externas que influenciam no desenvolvimento afetivo e no aprendizado dos alunos, e por isso a motivação e o interesse em suas aulas está também relacionado com o modo que o professor lida e trata o aluno.
            Além disso, os alunos apontaram também atividades que fogem ao padrão de apenas ficar lendo e escrevendo na lousa – tais como jogos, gincanas e brincadeiras, o uso de recursos audiovisuais; experimentos que extrapolam os limites das páginas dos livros e apostilas - como motivadores para o aprendizado. Eles se referiram também à aula de arte como bastante produtiva e estimulante: “gostamos também das aulas de artes. A professora traz coisas contemporâneas, diferentes. Gostamos da atividade de gravura com giz. Os alunos produzem muito nessa aula, a aula rende bastante”.

c) O que desmotiva os alunos na escola e nas aulas?
            A resposta entre os três alunos foi comum: “o professor impor muitas regras, ser muito rígido, ter que ficar quietinho, certinho, sem falar com ninguém.” A questão da interação já foi discorrida anteriormente, então registro aqui minhas indagações: como é possível transformar esta cultura educacional impregnada por um autoritarismo que, do ponto de vista histórico-cultural debatido aqui, tende apenas a inibir o aprendizado e o desenvolvimento, a desmotivar os estudos e a prejudicar o convívio social e afetivo dos alunos?
            Outra queixa foi em relação ao professor desconhecer, ou não considerar o nível de desenvolvimento real dos alunos e conduzir as aulas em um nível acima do potencial de desenvolvimento deles, o que prejudica a compreensão do conteúdo da disciplina e desmotiva o aluno a aprender.
            Ao reclamarem que não gostavam quando os professores os xingavam, foram logo silenciados pela coordenadora pedagógica, presente na sala, que os interrompeu dizendo que aquilo não acontecia, que os professores falavam sempre educadamente, o que é contraditório com a realidade que presenciei quando estava em período de observação no estágio. Vi professores falarem mal, fazerem fofocas, referirem-se aos alunos com termos pejorativos e discriminantes, até mesmo em relação sua capacidade de aprendizado, apontando muitos alunos como “casos perdidos”.


A intervenção não pôde ser concluída

            O objetivo da entrevista era dar um retorno ao corpo docente e administrativo da escola, porém a coordenadora pedagógica não permitiu a intervenção. Ela ouviu toda a entrevista e achou que “seria muito para a cabeça mostrar isso para os professores a essa altura do campeonato”. Isso demonstra o conformismo do corpo administrativo com as deficiências no ensino da escola e falta de interesse em tentar transformar, um mínimo que seja a realidade degradante do nosso ensino público. O objetivo da atividade não era de maneira alguma atacar ou ofender algum professor, mas tentar ampliar e debater o conceito de educação de algumas práticas pedagógicas que não se mostram muito eficazes para o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos. Lamento não poder concluir o objetivo desta intervenção por conta da descrença da própria instituição escola de que é possível melhorar.


Bibliografia

OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997.

OLIVEIRA, M. K.; REGO, T. C. Vygotsky e as complexas relações entre cognição e afeto. In.: ARANTES, V. A. (org.) Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 2003. p. 13-34. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=GlGJjoDVt1EC&pg=PA13&dq=vygotsky+afetividade&hl=pt-BR&ei=ZIfNToLzD8jLgQeT_vS6DQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CDUQ6AEwAQ#v=onepage&q=vygotsky%20afetividade&f=false>. Acesso em nov. 2011.

VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 4ª Ed., 1998.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Análise do Filme "An Invisible Sign" (Matemática do Amor)



Em “Matemática do amor” todos os clichês previstos do cinema convencional podem ser notados: atmosfera indie, história açucarada de amor, garota em conflito, tradução péssima de título, Jessica Alba no papel principal, entre outros que você mesmo pode listar ao assistir o filme. Porém apesar de todos esses tópicos sofríveis, o filme consegue surpreender ao tocar sensivelmente em alguns pontos importantes da Educação Infantil que fazem valer o aluguel do DVD ou os minutos de download. Aparentemente ingênuo e despretensioso, este filme ilustra uma série de conceitos importantíssimos para entender Vygotsky e o cenário do ensino atual.
A protagonista da história, Mona, após uma série de conflitos pessoais, consegue um emprego como professora de matemática. O detalhe é que ela abandonou a faculdade antes de concluí-la e não tem a menor noção de como é ser uma professora. O desenrolar da história mostra essa sua jornada bastante caótica de autoconhecimento. Como é que uma “pessoa comum” se torna um professor? Em que medida suas crenças pessoais e sua bagagem emocional influenciam o importante papel social de ser o mestre responsável por uma classe?
A resposta é que só há uma maneira de uma pessoa se tornar professor: sendo. Vemos isso empiricamente quando vamos a campo para o estágio. Não há fórmula mágica de transformação. Ainda que o preparo, leituras e estudos sejam cruciais, só entendemos e lapidamos nosso papel ao vivenciá-lo. E conseqüentemente nossa bagagem pessoal vai inevitavelmente influenciar o tipo de professor seremos. Não há como existir objetividade completa, pois estamos falando em seres humanos complexos. A teoria vale, mas não há como prever, padronizar e robotizar esses seres múltiplos chegando a único tipo de professor ideal. Cada pessoa, sendo singular, se torna um professor singular. O que não há como contestar é a força que esta profissão tem como modelo na vida do estudante ao longo de toda sua vida. É mais que uma profissão, é um papel social.



O filme ilustra isso com bastante ênfase. Mona está com a vida pessoal em ruínas, mas quando está em sala tem que lidar com as múltiplas personalidades dos alunos, dos conflitos individuais de cada um (uma mãe com câncer, pais que se separam, aluno rebelde, aluna que urina em sala...), ser responsável (isso será importante para o final do enredo) e ainda assim cumprir seu principal dever que é ensinar. Este é o conflito gostoso de ser professor: apesar de todas as nossas fraquezas e problemas individuais, há um papel esperado (pela escola, pelos pais e alunos, pelo sistema escolar, pelas exigências da profissão) a ser cumprido, porém cada um desempenhará de forma única, em um desafio diário.
E, para começar, a protagonista instintivamente escolhe iniciar seu papel como professora dentro daquela escola através da linguagem (visual), transformando o ambiente em algo mais lúdico e verossímil para uma classe de 3ª série.  Atitude acertada, já que presenciamos atualmente a perda da ludicidade no ensino infantil em detrimento das exigências múltiplas do currículo e do letramento cada vez mais cedo. Ao colorir o ambiente, desenhar números nas janelas, fabricar móbiles, fazer caixas de papelão transformarem-se em sinais matemáticos, ela resgata algo fundamental para as crianças: a brincadeira. E suas descobertas não param aí. Ela propõe atividades diferenciadas para poder ensinar os números para as crianças de forma mais criativa, propondo interações e permitindo uma maior intimidade dos alunos com aquele universo matemático. Isso é visível na cena em que propõe que eles encenem uma equação humana com seus corpos, ou quando vão à lousa para pensar o que é  “maior que ou menor que” na vida, e etc.
Algo que me interessou bastante no método novato de Mona é que ela usa como ponto de partida a CONVERSA. Ela quer saber qual o nome dos alunos e qual seu numero favorito, ela está sempre dialogando, abrindo espaço para opiniões e assim se aproxima deles e da realidade subjetiva de cada um, ou seja, ela dá voz às crianças em suas aulas.
Isso foi algo que notei empiricamente em meus estágios como um dos maiores problemas da educação infantil: os alunos, por conta da pouca idade, são considerados por vezes incapazes de ser um sujeito ativo do processo educacional, enquanto na verdade eles são perfeitamente produtores e reprodutores de cultura. Pensa-se que eles são muito pequenos, e portanto limitados, para dizer corretamente o que sentem, o que querem e esperam da escola e para intervir no ensino, mas isto é um equívoco. Ouvir as crianças é algo fundamental no ensino infantil e pode ser surpreendente a capacidade crítica de alunos tão pequeninos.
No filme, nossa personagem vai ainda além, e propõe a inteligente atividade denominada “Números e Materiais” onde ela permite que eles tragam sua realidade de fora (ou seja, sua bagagem pessoal e emocional) para dentro da sala de aula, trazendo de casa algum objeto que lembre um numero. Assim, os alunos trazem mangueiras de hospital da mãe com câncer, o braço mecânico do pai e coisas que fazem parte de sua realidade e universo particularíssimo. Dessa forma, através da disciplina, Mona permite que eles levem sua vida real para a escola, vendo sentido nela e vislumbrando uma possibilidade de intertextualidade e aplicação real daquele conteúdo em suas vidas. Eles notam que vida dentro e fora da escola podem se conectar. E não só isso, através dessa intervenção, a professora consegue compreendê-los melhor, conhecendo mais sobre a vida pessoal de seus alunos, algo fundamental quando se dá aula para crianças. Ao dar voz a eles ela está considerando a narrativa pessoal desses sujeitos (ainda que dentro da forma desajeitada que é a característica da personagem).
Na perspectiva Vygotskyana do modelo histórico-cultural o homem é um ser social, ou seja, as relações entre os homens são cruciais para o desenvolvimento. Neste sentido, a atuação e intermédio de outras pessoas são muito importantes para o processo educacional, sendo o professor uma ponte entre o conhecimento e a subjetividade e os limites de cada um dos alunos (conceito de zona proximal). Na educação infantil o professor seria a mediação para despertar o interesse das crianças para que elas façam descobertas, aprendam e se desenvolvam.
Para isso, a linguagem é instrumento e matéria prima do processo. Se para Vygotsky “a fala não pode ser descoberta sem o pensamento”, o papel do professor perfeitamente ilustrado na figura de Mona é instigar, mediar e interpretar essas expressões diárias das crianças.  As aulas da professora do filme refletem jogos, interações e brincadeiras que se tornam o gatilho perfeito não só para o aprendizado como também para a ressignificação da escola e dos contextos individuais de cada criança.
A partir disso, o terreno para uma intervenção pedagógica fica muito mais claro e possível. O papel da professora da história toca em um ponto muito importante para esta discussão: o brincar como parte integrante do processo educativo e o papel de transformação social que cabe ao professor. Se Mona fosse uma aluna de estágio de nossa classe poderíamos dizer que ela alcançou o impacto desejado com sua intervenção naquela sala de aula. Ainda que algumas conseqüências tenham sido trágicas ao longo da trama, ela consegue transformar o ensino de matemática (disciplina bastante temida no currículo), consegue motivar-se e motivar os alunos, lidar com a individualidade deles, ser uma ótima mediadora escola-individualidade, propor uma metodologia lúdica nas atividades para combater o encurtamento da infância (tão típico atualmente nas propostas das escolas) e consegue ser mais do que interdisciplinar. Mona é transdisciplinar, pois ela consegue ir além da sua disciplina, transgredindo e mostrando que há abertura e espaço para o outro e para o conhecimento do outro, gerando assim a possibilidade de um ensino mais eficaz e de uma relação mais verdadeira.


Bruna (RA 059276)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Relatório de Estágio - Ana Moretti

  1. Introdução
Minha visão inicial

A escola escolhida para o trabalho está localizada na região campinas oeste.
Esta escola conta com ensino médio no período matutino e noturno e fundamental no período vespertino.
Tem uma excelente infraestrutura contanto com sala bem equipada de informática com aproximadamente 25 computadores novos, refeitório e merenda para os alunos.
Os professores contam com uma cozinha dois banheiros e uma sala para as refeições, bem como a sala dos professores com armários, giz e livros didaticos.
As salas de aula são limpas e conservadas, a escola tem bastante claridade e é pintada na cor branca deixando o espaço mais agradável.
Nos murais encontram trabalhos realizados na escola pelos alunos, bem como cartazes informando sobre olimpíadas, vestibulares e trabalhos realizados pelo estado.
Esta escola conta com o projeto PIBID feito pela PUCCamp, auxiliando no desenvolvimento intelectual dos alunos.
Nos primeiros momentos na escola me senti bem acolhida pelos professores, coordenação e direção, os alunos foram receptivos e curiosos quanto a minha chegada, o ambiente e a relação direção-coordenação – professores me pareceu tranquila e sem problemas.
A relação entre professores me pareceu de companherismo, mas não de auxilio entre eles em relação ao conteúdo didático, como um trabalho interdisciplinar.
Professores e alunos tem uma relação hierárquica e sem problemas quanto a violência, mas a indisciplina, como em qualquer outra escola, é predominante entre os alunos de 5º série, 6º ano, devido a uma enorme energia entre eles.

Fudamentação do trabalho realizado na escola
Este trabalho está fundamentado na teoria de Vygotsky, que tem sua vertente sócio-histórica na estutura cognitiva do ser humano, pois o aprendizado é um processo resultante da interação entre crianças com parceiros que tenham um maior conhecimento, e é necessária para o desenvolvimento cognitivo.
O desenvolvimento mental é a organização de toda aprendizagem, e esse desenvolvimento não existiria sem a aprendizagem, desta forma a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam nas crianças as características humanas não-naturais, mas formadas historicamente.
As emoções é um elemento que irá auxiliar no trabalho do professor, que, faz com que as crianças exerçam uma forma de comportamento aceitável, e desta forma o professor exerce um papel de organização interna do comportamento dos alunos, trabalhando com os sentimentos, e assim o aluno deverá sentir a aprendizagem.
Para Vygotsky, o uso das emoções é importante na interação motivação e aprendizado, gerando o desenvolvimento, assim é essencial o papel da emoção no ensino.
Mas durante o processo de desenvolvimento a criança tem a capacidade de adaptação de aprender a aprender e reaprender, e isso cria indivíduos criativos, que estarão aptos a se adaptarem em situações de mudanças.
Todo aprendizado é mediado, assim o papel do professor torna-se imprescindível, devendo ter um adulto para ajudar a criança no primeiro contato com novas habilidades, e ao internalizar esse procedimento, a criança pode faze-lo de forma independente.
Como o aprendizado vem antes que o desenvolvimento, a criança no ínicio não sabe se será capaz de aprender, assim o papel do professor é identificar as capacidades deste aluno e trabalhar para que este aprenda gerando o seu desenvolvimento.

Escola que dá certo”

A escola descrita abaixo foi desenvolvida nas vertentes de Celestine Freinet que segue as mesmas bases de Vygotsky, e esta escola mostra como que o construtivismo Vygotskiano é aplicavel e pode ser reproduzido.
No método Freinet o interesse do aluno é o motor da vida diária da escola, que se organiza en torno de um tema proposto pelas crianças. Os trabalhos são expostos e os companheiros opinan, neste trabalho a expressão oral é a base do método.

Escuela Celestine Freinet – Chile

A escola Celestine Freinet de La Pintana, criada em 1980, leva este nome como homenagem ao educador francês, que a partir da prática docente propôs um novo olhar para a Nova Escola. Freinet iniciou um movimento de renovação pedagógica que no século passado centrou-se na criança os talentos e as necessidades através de um método de aprendizagem para escola e para a vida.
Nesta escola há a produção do texto livre, que a criança se expressa livremente através da escrita, usando suas próprias idéias, vivências e inquietudes, esses textos são lidos e comentados em sala.
Há uma imprensa escolar que o aluno maneja e opera com apoio dos colegas e professor a melhoria na leitura e escrita, como um apoio no processo de aprendizagem, desenvolvendo o trabalho coletivo.
Existem as conferências escolares a cargo do aluno e sobre aspectos por ele abordados. Nas assembléias dirigi-se a resolução não violenta de conflitos no interior da sala de aula, e esta atividade é dirigida pelas crianças no espaço e tempo destinado a falar sobre os problemas e buscar soluções.
Existe uma horta escolas para ensinar as crianças o manejo do solo e sobre a natureza.



  1. Descrição do trabalho realizado


Tabela 01: Número médio de alunos presentes na sala durante o estágio

6º A
27 alunos
6º B
29 alunos
6° C
26 alunos



Justificativa da escolha:


A professora responsável pelo estágio é a professora efetiva de Português da escola para os alunos do ensino fundamental. Como busquei a interdisciplinariedade, deixei as aulas de química para acompanhar uma matéria de maior frequência durante a semana em que o professor debe ter uma interação maior com os alunos, e assim seria mais perceptível a relação professor-aluno e professor-escola.
O trabalho com alunos do ensino fundamental sempre foi algo que me causou curiosidade, assim as sextas séries foram uma excelente opção de trabalho, pois pude interagir com os alunos e verificar alguns pontos de defazagem que eles levam para o ensino médio.


O Trabalho

Nesta escola houve um grande acolhimento por todos desde a direção até os alunos e funcionários, pude aprender um pouco sobre um bom relacionamento profissional e pessoal com as pessoas alí presentes.
No início sempre a chegada a um lugar desconhecido causa estranhesa, mas com o passar dos dias tornava-me mais presente e me sentindo parte daquele lugar.
Os alunos depois de algumas aulas já não se incomodavam mais com minha presença e tornavam-se os mesmos que eram todos os dias com o professor, pude ser somente uma observadora por algum tempo.
Tive a oportunidade de conhecer a sala de informática que tem uma boa infraestrutura e que os alunos usam com frequência.

A intervenção

A intervenção foi realizada na segunda-feira dia 21 de Novembro no horário do HTPC por um período cedido pela direção de 30 minutos, no qual realizou-se uma apresentação desmitificando o construtivismo, demostrando que o professor é um indívidio ativo nesse processo de desenvolvimento da aprendizagem, guiando seu aluno por caminhos que antes este não poderia realizá-lo sozinho.
Os professores foram muito receptivos e participaram da discussão do que seria esse novo construtivismo, passei uma apresentação sobre a escola Freinet no Chile, na qual demostrou que com poucos recursos, mas muito trabalho em conjunto consegue-se ter uma excelente educação.
Discutimos muito sobre o trabalho em grupo e verifiquei que muito professores são extremamente adeptos dete tipo de trabalho e que incentivam os alunos, assim pude ter uma discussão muito produtiva e tranquila, infelizmente tivemos pouco tempo.
Mas como proposta futura a ser feita para a direção é um trabalho voluntário com alguns alunos apar auxilio no aprendizado buscando os pontos chaves das dificuldades

 

   3. Conclusão

Com esse estágio pude abrir a mente para o uso da internet como ferramenta de discussão e de ensino e aprendizagem, podendo ser usada como mediador de exercícios e dúvidas.
A criação do Blog foi algo inusitado que nunca havia feito e que nunca antes tinha tido um contato, me surpreendeu a facilidade e a forma como pudemos mostrar nosso trabalho, sentimentos, frustrações e alegrias, uma experiência unica que penso em continuar.
A escola me surpreendeu por ter um blog que os alunos mostravam os trabalhos e informavam os eventos escolares, que pode ser e será mais aprofundado.
Acredito que depois da intervenção pude sentir um carinho e aceitação pelos professores que ficaram curiosos sobre como agir para melhorar a forma de ensino, por esse motivo não deve-se parar a intervenção, vou continuar durante o ano que vem interagindo e tentando mostrar como podemos com trabalho e esforço mudar o rumo de nossa educação.

 
   4. Bibliografia

VIGOTSKI, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In
VIGOTSKI et al Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Editora Ícone, 2001a

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sobre máximas de Vygotsky e “mashups”

Anteriormente, eu já havia explicado esta tendência de linguagem tão peculiar: o mashup.
A brincadeira funcionou e é inegável o quanto esta forma de expressão nos ajuda a fixar bem a teoria ou a mensagem a ser dada. Isso ocorre principalmente por seu duplo apelo "imagem-conteúdo".
Nesta fase de conclusões de estágios e relatórios, resolvi me render novamente às máximas do nosso pensador Vygotsky e arriscar novas combinações.

Espero que gostem!














Bruna (ra 059276)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Achado!

Para quem quer entender ainda mais de Vygotsky assista esse video no youtube que encontrei da Marta Kohl, professora da USP, que tivemos a oportunidade de ir em um dos seminários dela na Semana da Educação na FE.
É interessante!
São 6 partes. Logo abaixo se encontra a 1ª parte.
http://www.youtube.com/watch?v=2qnBE_8A6Fk

Rodrigo C. Gil

Novos horizontes

Durante o período de estágio pude observar como é o comportamento dos professores, a postura e as atitudes tomadas em horas críticas.
Alguns sabem agir mais tranquilamento que os outros, mas no entanto sempre há um momento de conflito, e muitas vezes a direção toma a frente punindo com advertências e suspensões.
Em alguns casos por vandalismo outros por indisciplina ou violência entre os alunos.
Durante o processo paraa realização da intervenção na escola pensei muito nesses fatores e como poderia influênciar em um tratamento mais eficaz desse aluno e nas atitudes desses professores que estão esgotados e cansados com um trabalho estressante.
A escola se tornou um lugar de muitos problemas, não somente no ensino, mas em fatores como valores que temos em nossa sociedade, e vejo que esses valores cada dia mais estão sendo perdidos.
A intervenção a principio somente teria a vertente do ensino-apredizagem demonstrando que o trabalho em grupo é um fator predominante para o crescimento intelectual desse aluno, auxiliando este aluno a alcançar um progresso que sozinho ele não seria capaz, pois o trabalho em grupo gera um cidadão mais alto confiante, que estará apto a lutar contra impunidades e criará um fator determinante que é o pensamento crítico.
Mas o perda dos valores sempre está em minha mente como um fator que auxilia o aluno a perder o interesse pelo estudo e o professor não conseguir realizar um trabalho satisfatório.
Assim, depois da intervenção que será realizada no dia 17/11/2011, continuarei um trabalho durante o ano com alguns alunos que tenham maior dificuldade de aprendizagem, realizando tutorias e tentando entender o que o efeito da perda de valores influência no aprendizado, gerando revolta e insatisfação desses alunos.

Ana Moretti

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pedinte!

No dia 26/10, tentei seguir o raciocínio da aula anterior, ou seja, buscar algo que também impressionassem eles. Caminhando no centro Campinas, observei um pedinte no sinal de transito, e percebi que aquilo fazia parte do cotidiano dos meus alunos, e transformei tal situação em um problema. O problema se tratou em calcular o ganho médio mensal de um pedinte, para isso me apropriei do fato da escola se localizar ao lado de um sinal de transito, e com isso os alunos puderam calcular o tempo médio de abertura e fechamento de sinal, e a quantidade média de carros que paravam a cada instante. Com esses dados, montamos uma situação, onde através da experiência deles, pudemos montar a solução para saber o ganho médio. O resultado causou uma surpresa muito boa, e com exclamações interessantes, por exemplo, “vou sair do trampo e começar a pedir dinheiro na esquina!”. Mais uma vez consegui a atenção que queria, contudo, ao termino da situação problema, tive que ensinar o conteúdo programado no método lousa e giz.
          Agora é esperar os próximos encontros.


Rodrigo C. Gil