quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Relatório Final El874- Bruna Raquel La Serra 059276 parte 3

A entrevista escrita com a professora Rosângela, responsável pela turma que acompanhei.

1-Porque Educação Infantil?
R:Já tive a oportunidade de trabalhar tanto com Educação Infantil como com Ensino Fundamental. Sou apaixonada pelas crianças pequenas, elas são inocentes, puras e se entregam de corpo e alma. São muito carinhosas e espontâneas.
2-Você concorda em como a E.I. está hoje?
R: Discordo em dois pontos atualmente. Um deles é que acredito que as crianças de 3 a 6 anos que ficam meio período na escola tem o direito de permanecer na escola em período integral, principalmente porque as mães trabalham.
Outro fator que me incomoda são as crianças de 6 anos saindo da E.I. e indo direto para o Ensino Fundamental. As escolas da faixa fundamental estão demorando para se adequar às crianças desta faixa etária. Sinto que as criança de repente ficam engessadas entre carteiras e cadeira para aprender e perdem o espaço (inclusive físico) do brincar.
3-O que você mudaria? O que mais te incomoda?
R:Duas coisas me incomodam muito. A primeira é que as crianças do EMEI não possuem monitores e as classes chegam a ter até mais de 30 crianças, num agrupamento de idade mista. Já imaginou uma professora com crianças que ainda fazem xixi na roupa  e precisam de atenção específica e não tem ninguém para ajudar porque as professora tem outros 30 alunos para atender? O processo é muito prejudicado.
Outro incômodo, baseado nisso,  é que não sou a favor das salas “multiseriadas”. A mistura de crianças de 3 a 6 anos é boa apenas para servir para a demanda da prefeitura, mas para nós que temos que lidar com as necessidades especificas de cada criança é muito complicado. O mais novo pode aprender com os mais velhos, mas para os mais velhos é muito ruim ter que conviver com as limitações dos mais novos. Isso gera uma desigualdade.
4-Você sente liberdade para propor atividades na escola? Se sente uma boa mediadora?
R:Sim. Somos livres para propor atividades dentro do interesse das crianças e com 20 anos de profissão confio na minha experiência. Mas vale dizer que estamos todos os dias aprendendo. Acredito que sou uma boa mediadora, pois escuto e observo muito as crianças para dar o próximo passo sempre.
5-Você acredita que os alunos vem para a escola mais para aprender ou para serem cuidados?
R:As duas coisas, já que educar no E.I. pressupõe as duas propostas.Não há como separar esses dois processos.
6-Você concorda com o currículo? Proporia algo novo?
R:Sim. Uma mistura de brincar e aprender. A PMC nos propõe muitas coisas boas, o único problema é a estrutura para tanto. Este ano participamos da palestra da Maria Carmem Silveira Barbosa, onde ela enfatiza respeitar a cultura da criança e sempre colocar a brincadeira como ponto de partida do nosso currículo.
7-Vocês conhecem e discutem o PPP? Colocam em prática?
R:Sim e ele funciona muito aqui na escola. Montamos um no início do ano e avaliamos o desempenho elaborando um novo a cada  final de semestre.
8-Vocês tem ouvido as crianças ou se apegam mais aos relatos da família?
R:Muito. Este ano com a nova orientadora, Martha, enfatizamos mais ainda este trabalho. Estamos avaliando, ouvindo as crianças, o que gostaram, o que não gostaram... E a partir disso, reavaliamos nosso trabalho.
9-Você sente que há uma pressão do E.I. sobre o letramento  e a alfabetização?
R:Pressão não. Mas temos um forte incentivo em trabalhar o letramento e não a alfabetização.
10-Há espaço para o brincar? Nesse sentido você  já aplicou alguma atividade que funcionou bem?
R:Sim. Temos o parque com campo, a biblioteca, a casa lúdica, a sala de aula com muitos brinquedos e jogos. Neste ano temos ainda o professor Juracy que é estagiário de Educação Física e vem duas vezes por semana e sempre propõe atividades criativas.

2 comentários:

  1. Oi Bruna

    Muito forte mesmo essa questão do brincar nos nossos estágios, mesmo que em temas diferentes. Acredito que a brincadeira deve fazer parte não apenas do cotidiano do ensino infantil, mas do fundamental também. Na minha intervenção, com alunos da 5ª série (na faixa dos 10, 11 anos), eles ainda pensam na brincadeira como uma das principais motivações para ir à escola. Infelizmente, já com 6, 7 anos os alunos são submetidos aos padrões rígidos do silêncio, carteira e cadeira. Até mesmo no ensino médio a ideia de jogo, de gincana ainda estimulam bastante o interesse nas aulas.

    Parabéns pela pesquisa e pela intervenção!
    bjs
    Fernanda

    ResponderExcluir
  2. Tb achei bem interessante o roteiro de entrevistas que construiu, Bruna. As respostas formaram um quadro muito coeso, a partir disso.

    Heloísa

    ResponderExcluir