sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Relatório Final - Rodrigo C. Gil

Relatório de Estagio

Nome: Rodrigo Costa Gil                                       RA: 072319
Curso: Licenciatura em Matemática
Disciplina: EL874J - Estágio Supervisionado II
Professora: Heloisa Andréia de Matos Lins

No dia 31/08, meu estágio começou em uma escola onde já conhecia anteriormente, que claramente ficou mais fácil ser aceito a estagiar. Trata-se de uma escola particular voltada para o Supletivo e, a partir de 2009, também para o ensino técnico, localizada na Avenida João Jorge, em baixo da Recapex, uma oficina de pneus no Centro de Campinas.
Na escola ministro aulas de matemática, física a nível médio, lecionando neste semestre para duas turmas aulas de matemática todas as quartas-feiras.
Comentários sobre o local tenho muitos. Um deles é poder lidar com alunos que variam de jovens de 17 anos a senhores de 60 anos. Jovens que ha dois anos não freqüentam um ambiente escolar e senhores que se encontram na mesma situação por volta de quatro décadas.
Lidar com uma sala de EJA é algo muito prazeroso, pois o professor, pelo menos no meu caso, consegue ministrar as suas aulas com maior facilidade.
Nota-se maior comprometimento entre os alunos mais velhos. Uma experiência de vida, que a meu ver, valoriza o conteúdo que esta sendo ensinado, mesmo que nunca seja utilizado.
Neste primeiro contato como estagiário tratei de seguir as recomendações da Profª Heloísa, que no primeiro momento dentro da escola, deveríamos ir em busca do Projeto Político Pedagógico (PPP) e, para minha surpresa a escola não possuía nada e, mais surpresa ainda foi a Diretora me perguntar se eu gostaria de elaborar um.
Este foi o primeiro dia de aula de uma turma que comecei a ministrar a disciplina de matemática, por isso escolhi este dia como o primeiro dia do Estagio. Neste dia me apresentei e dialoguei com eles a respeito dos métodos de avaliação e exposição das aulas.
Como a professora, colocou como preferência de estagio, que fosse realizado em uma escola publica, nos níveis fundamental e médio, porém ela permitiu que estagiasse nessa escola, senti que deveria mostrar que a maioria, senão todos, os alunos haviam vindo de escolas publicas, e que possuíam uma cultura muito coincidente com a encontrada em sala de aula, para isso desenvolvi um questionário básico onde eles colocaram a escola onde estudaram, a cidade, se era publica ou não, e o que pretendiam para o futuro. Com o questionário respondido em mãos, pude analisar melhor as pretensões dos meus alunos, que para alguns eram bem ambiciosas. Os questionários estarão em anexo ao relatório.
Como, foi discutido na aula presencial com a Profª Heloisa, ficou claro que havia a necessidade de uma intervenção que fizesse com que os alunos pudessem refletir sobre a sua realidade ou pelo menos sobre alguma situação que eles convivessem que poderia ser pensada de forma reflexiva. Partindo disso, tentei montar uma aula sobre um tema atual que pudesse interagir com a realidade deles, que foi “explosão de gás no Rio de Janeiro”. Pensei nesse tema, pois ao ver as imagens da explosão fiquei muito impressionado.
        No dia 19/10, comecei no primeiro momento de tratar de conteúdos básicos sobre potenciação, necessários para um entendimento de comparação que eu queria fazer ao final da aula. Com os conceitos de potenciação ensinados ou relembrados, comecei com algumas informações sobre botijão de gás, mostrando algumas curiosidades e riscos. Com isso pude trabalhar com eles o quão grande é uma explosão de um botijão de gás comparado com alguns quilogramas de dinamite. Tais comparações gerarão surpresas, exatamente o que queria, porem percebi que as mulheres não haviam se impressionado muito, foi então quando ao ver uma garrafa quase vazia de uma marca de refrigerante conhecida que uma aluna estava bebendo, tive a idéia de fazer a mesma comparação de energia que a aluna estava consumindo com a energia liberada pela explosão de alguns quilogramas de dinamite. Ainda dialoguei com eles sobre o falso marketing que é feito a respeito das informações nutricionais dadas em alguns alimentos, onde, por exemplo, “2 cal” (duas calorias) é diferente de “2 kcal” (duas mil calorias).
No dia 26/10, tentei seguir o raciocínio da aula anterior, ou seja, buscar algo que também impressionassem eles. Caminhando no centro Campinas, observei um pedinte no sinal de transito, e percebi que aquilo fazia parte do cotidiano dos meus alunos, e transformei tal situação em um problema. O problema se tratou em calcular o ganho médio mensal de um pedinte, para isso me apropriei do fato da escola se localizar ao lado de um sinal de transito, e com isso os alunos puderam calcular o tempo médio de abertura e fechamento de sinal, e a quantidade média de carros que paravam a cada instante. Com esses dados, montamos uma situação, onde através da experiência deles, pudemos montar a solução para saber o ganho médio. O resultado causou uma surpresa muito boa, e com exclamações interessantes, por exemplo, “vou sair do trampo e começar a pedir dinheiro na esquina!”. Mais uma vez consegui a atenção que queria, contudo, ao termino da situação problema, tive que ensinar o conteúdo programado no método lousa e giz.
        No dia 27/10, houve um encontro com o grupo e a professora Heloisa. Nesse encontro a professora me fez perceber algo interessante, que a principal intervenção que eu estava fazendo, não era apenas no ensino usual que os meus alunos costumam ter durante a semana, mas sim nas minhas praticas pedagógicas, e isso me deu um novo rumo sobre as próximas aulas que pretendo aplicar, e o que pretendo discutir no seminário.
        No dia 09/11, desci aplicar uma aula baseada em um jogo que encontrei no site www.m3.ime.unicamp.br, o jogo se tratava necessária de uma corrida até chegar ao numero 100, quem chegasse primeiro ganharia. Porém, o objetivo ao final era chegar a uma estratégia onde possibilitasse sempre ganhar, isso alguns conseguiram outros não. Aos que não conseguiram dei algumas informações para que eles chegassem ao objetivo da aula.
        Logo após o jogo, ensinei uma forma matemática, baseada em Progressão Aritmética, onde eles puderam ver que até nos jogos a matemática poderia esta presente.
No dia 16/11, resolvi levá-los a sala de informática para eles terem acesso a um jogo via internet que encontrei fuçando na net, porém, esqueceram de me avisar que não havia internet, ou me esqueci de perguntar. Resumindo a historia, acabei levando ele novamente para a sala de aula, onde tive que me “virar nos 30” e acabei utilizando a velha amiga lousa e o inseparável giz.
        No dia 23/11, continuei com o conteúdo de Progressões, agora com progressões geométricas, desta vez me vali de uma aula que tive no cursinho sobre o conteúdo matemático e a Teoria Malthusiana, que envolvia o crescimento populacional (P.G.) e o aumento da produção de alimentos (P.A.), e como tal teoria até hoje influencia políticas de saúde e econômicas de governos atuais.
        Nesta aula, combinei com os que vieram que fizessem cartazes com os temas: Dinamite vs Botijão de Gás, Riscos de 200 ml de Coca-cola, Ganho médio de um Pedinte. Os cartazes irão servir apenas como documento.

Avaliação

Decidi nessa turma, não avaliá-los através de provas, mas sim, com a participação efetiva de cada um nas aulas, e posso dizer que me sinto muito mais satisfeito, levando em consideração todas as dificuldades didáticas e falta de dedicação em alguns momentos por parte de alguns alunos.
Aluno de EJA é diferenciado, que além de lidar com o sustento da própria família tem que permanecer concentrado em uma sala de aula, então os métodos corriqueiros de avaliação não podem ser aplicados, ou os mesmos métodos devem ser adaptados.

Conclusão

Saber olhar para as dificuldades de cada aluno, leva tempo e paciência, pois nem todo aluno se deixa aproximar. Conhecer a vida e as vivências do aluno ajudam em muito em uma aula mais significativa. Fazer com que a aula signifique, ou seja, tenha utilidade, faça-o pensar sobre a sua própria vida, propicia um aprendizado muito mais amplo do que ele costuma ter, ou teve, com outros professores. Pela mudança nas praticas pedagógicas que tentei ou consegui empregar, poço dizer que o ambiente em sala de aula, a comunicação entre os alunos e o professor, melhorou e muito, me fazendo pensar que a teoria Vygotskiana deixe de ser apenas teoria.


Bibliografia




Lima, E. L. A Matemática do Ensino Médio – Vol. 2 - Coleção do Professor de Matemática – SBM, Rio de Janeiro – 2006


Lev Semionovich Vygotsky / Ivan Ivic; Edgar Pereira Coelho (org.) – Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana - 2010.

ALRØ, H; SKOVSMOSE, O. Diálogo e Aprendizagem em Educação Matemática, Cap. I. Tradução de Orlando Figueiredo. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p.51-75.

SILVA, Paulo Eugênio da. Tarefas exploratório-investigativas nas aulas de matemática. In:  Pesquisas em Educação Matemática: um encontro entre a teoria e a prática. São Carlos: Pedro & João Editores, 208, p.87-111.

2 comentários:

  1. Bruna La Serra (059276)6 de dezembro de 2011 às 22:52

    Rodrigo, foi bem legal o que você desenvolveu. Gostei da decisão de não avaliá-los. Você tinha comentado que alguns alunos não tinham gostado dessa sua intervenção, que eles tinham estranhado não ter provas. Como ficou isso depois?
    Curti a estrutura do seu relatório, bem ao estilo de um diário de campo antropológico! ;)

    bjs

    Bruna

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  2. Rodrigo, as suas aulas devem ter sido muito interessantes! Eu fiquei aqui pensando em como os alunos devem ter gostado...
    Você e eles devem ter saído modificados dessa experiência. Parabéns pelo trabalho!
    Deixarei comentários específicos sobre o relatório no Ensino Aberto, ok? Veja lá...
    Heloísa

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